Pritzker 2010, Ryue Nishizawa visita Brasília e fala sobre seus projetos recentes

20/Setembro/2010

Pritzker 2010, Ryue Nishizawa visita Brasília e fala sobre seus projetos recentes


Arquiteto japonês encerrou Simpósio Internacional sobre Arquitetura e Museus com apresentação de técnicas aplicadas em seus projetos


Renato Faria

O arquiteto japonês Ryue Nishizawa, vencedor do Prêmio Pritzker 2010 ao lado de Kazuyo Sejima, sua sócia no escritório Sanaa, esteve em Brasília para apresentar suas obras mais recentes. Ele foi a estrela do encerramento do 1º Simpósio Internacional sobre Arquitetura e Museus, evento que trouxe experiências nacionais e internacionais de projetos executados ou ainda a serem construídos.

Em sua palestra, Nishizawa mostrou por meio de fotos e desenhos os conceitos e técnicas aplicados em seus projetos. Trecho de sua apresentação, na última sexta-feira (17), pode ser conferido no vídeo. 

O encontro mostrou que os museus pelo mundo vêm se renovando, e a arquitetura dos edifícios que os abrigam já é considerada parte do espetáculo oferecido aos visitantes – visão inaugurada na década de 1990 com o Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, do arquiteto Frank Gehry. Também ganha força a visão de que, tão importantes quanto o acervo mantido pelos museus, são as experiências e sensações vivenciadas pelos frequentadores – daí a aposta em novas plataformas interativas, como vídeo, áudio e jogos.

A subsecretária de Políticas Culturais do Distrito Federal, Ione Carvalho, lembra, no entanto, que esses novos museus que se valem de recursos tecnológicos para transmissão de conteúdos exigem maiores cuidados com a manutenção. "Isso é viável para instituições privadas, mas muito difícil para aquelas geridas pelo Estado", afirma.

Ela defende, nesses casos, o modelo de gestão adotado com sucesso no Museu do Futebol, em São Paulo, administrado por Organizações Sociais de cultura. O curador do museu, Leonel Kaz, concorda com Ione: "a instituição é administrada com a agilidade de uma instituição privada, sem a burocracia que vigora nos órgãos públicos, mas continua sob a tutela do Estado", defende.

Economia de recursos

Lembrando que o conceito de Sustentabilidade envolve não apenas aspectos ambientais, mas também econômicos e sociais, o museólogo Renato Baldrin, responsável pelo Museu do Futebol, em São Paulo, falou sobre as estratégias adotadas pela instituição para criar um espaço atraente a diferentes tipos de público, aumentando as receitas próprias e diminuindo a dependência de recursos vindos da Secretaria de Estado de Cultura.

Museu do Futebol, em São Paulo

Para isso, uma das apostas do museu é no segmento corporativo, com visitações em horários especiais, locações do auditório e das demais dependências para confraternizações e comemorações. "A organização espacial do programa foi fundamental para comportar, ao mesmo tempo, a visitação pública normal e os eventos privados", avalia Baldrin. Hoje, cerca de 25% das receitas do museu são oriundas das próprias atividades, mas essa fatia tende a aumentar nos próximos anos, afirma o museólogo.

Quanto à "sustentabilidade social", Baldrin destaca os preços populares dos ingressos – que custam apenas R$ 6, além da gratuidade às quintas-feiras -, as exposições temporárias e no caráter lúdico e educativo de suas atividades, além da acessibilidade aos diferentes tipos de público. "Os elevadores e rampas são dispostos de modo que as pessoas com necessidades especiais possam seguir o mesmo percurso sequencial que o restante do público", explica.

Sustentabilidade econômica

O arquiteto português Ricardo Carvalho, titular do escritório RCJV, apresentou o projeto do Museu do Design e da Moda (Mude) de Lisboa, obra que considerou sustentável sob um enfoque bastante particular.

Os arquitetos tiveram que incorporar de forma criativa ao projeto as fortes restrições orçamentárias impostas pelo cliente: algumas paredes e tetos foram mantidos em ruínas; outras, "revestidas" com tecidos translúcidos, valorizados pelo projeto luminotécnico

A Câmara Municipal de Lisboa adquiriu em 2002 uma coleção de aproximadamente 3 mil peças de roupas e objetos do empresário Francisco Capelo. Para abrigá-la, o governo municipal adquiriu no ano passado um edifício projetado na década de 1950, que sediava o Banco Nacional Ultramarino português. O imóvel foi encontrado em ruínas, com os acabamentos originais quase totalmente demolidos – no início da década, o antigo proprietário havia iniciado uma reforma, que foi paralisada por motivo de preservação patrimonial.

O governo municipal não dispunha, de imediato, de verba suficiente para uma completa reformulação do local. O escritório RCJV foi chamado, então, para preparar o local para receber provisoriamente o Mude. Os arquitetos tiveram que incorporar de forma criativa ao projeto as fortes restrições orçamentárias impostas pelo cliente.

Assim, o projeto abriu mão de elaborados acabamentos nos interiores: algumas paredes e tetos foram mantidos em ruínas; outras, "revestidas" com tecidos translúcidos, valorizados pelo projeto luminotécnico. Para ressaltar essa iluminação, os pisos também foram pintados com tintas de sinalização viária, que contêm microesferas refletivas de vidro. O resultado foi um interior híbrido, que explora o contraste entre o rústico e o high-tech. Ao mesmo tempo, os autores conseguiram reduzir sensivelmente os custos da obra e os desperdícios de material decorrentes de sua execução.

O resultado foi um interior híbrido, que explora o contraste entre o rústico e o high-tech. Ao mesmo tempo, os autores conseguiram reduzir sensivelmente os custos da obra e os desperdícios de material decorrentes de sua execução

Na edição de novembro da revista AU, confira a entrevista exclusiva concedida pelo vencedor do Prêmio Pritzker 2010 durante o evento.

Anúncios
Esse post foi publicado em Arquitetura e Engenharia. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s