Light steel framing

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Light steel framing

Fotos: divulgação Inversora Graficol
1) Os painéis chegam prontos, fabricados no galpão em canteiro. Todos os painéis das 62 casas foram montados em um mês

O condomínio Captal Ville foi a primeira obra em light steel framing da empresa. Os primeiros testes do sistema começaram em 2002. No ano seguinte, 33 das 95 unidades de dois pavimentos foram finalizadas e comercializadas. “Com o aval do público dois anos depois, e a não ocorrência de mofos ou patologias, continuamos com o sistema”, conta o diretor da construtora, Guilherme Kuhn. As unidades restantes foram entregues em 2009.

A região onde se localiza o condomínio – o bairro Vargem Grande no Rio de Janeiro, longe do centro – ainda não possui muitas construções. “Lá o solo é muito ruim, tem turfa. Uma construção convencional exigiria fundação com estacas profundas. Com light steel framing o peso é 1/5 do tradicional, os esforços de fundação são reduzidos drasticamente, e um radier resolveu o problema”, relata Kuhn.

Um fator que, por enquanto, é uma constante em obras desse sistema é a qualificação de mão de obra. O sistema tem uma proposta e uma execução diferentes. “Os profissionais da construção civil não estão acostumados”, diz Kuhn. Mas o retorno é positivo: “É como se eles saíssem da categoria peão para técnico, eles têm orgulho da tecnologia que aprenderam. E a produtividade é alta, um funcionário faz 270 m² por dia”, conta Kuhn.

 

Fotos: divulgação Inversora Graficol
2) São montados os painéis de todos os andares e cobertura antes de se iniciarem as instalações e fechamento

Sequência certa

É imprescindível que a sequência de montagem seja feita corretamente. “Não se pode começar a fazer o fechamento interno primeiro, porque pode entrar água, e isso compromete o desempenho da placa”, exemplifica Luciana Alves de Oliveira, pesquisadora do IPT. Primeiro são fechadas as paredes externas, depois cobertura, e no final trabalha-se dentro da casa, nas paredes divisórias e instalações.

Um galpão coberto foi montado para a fabricação dos painéis. O condomínio possui de 30 a 40 modelos de parede diferentes, cada uma com um gabarito que o operário usa para montar até 30 paredes por dia – todas com abertura para janelas, portas, ar-condicionado etc. Em um mês foram montados todos os painéis.

Os montantes utilizados foram de 0,95 mm, com espaçamento de 40 cm. Mesmo com os cálculos apontando viabilidade com espaçamento de 60 cm, a menor distância foi escolhida para assegurar a segurança, inclusive por se tratar de uma obra-piloto. O recheio escolhido, também por medida de segurança, foi a lã de rocha, e não de vidro. “A de vidro é melhor termicamente mas é prejudicial aos olhos e pele, traz riscos aos operários”, pondera Kuhn.

Depois da execução da fundação e laje, os painéis externos são fixados com chumbadores, não sem antes os ângulos serem aferidos. Os montantes então são fixados um no outro por rebites ou parafuso autobrocante.

Fotos: divulgação Inversora Graficol
3) É importante finalizar a cobertura e fechamento externo antes de se iniciarem as divisórias internas. Uma possível infiltração compromete a durabilidade do sistema

Assim como em outros sistemas industrializados, foram utilizadas lajes pré-fabricadas para os andares superiores, recebendo uma segunda camada de concretagem posterior. “Ela seca em uma semana, que é o tempo de verticalizar o segundo andar”, conta Kuhn.

Ao final dessas etapas é colocado o telhado. Foram 12 dias para executar 500 m² de treliça e telha cimentícia. Com as unidades “fechadas”, partiu-se para a montagem dos montantes internos, instalações elétrica, hidráulica e de esgoto. “Os perfis já vêm furados para receber os conduítes, e as caixas de eletroduto são fixadas por um montante especial. A instalação elétrica é feita em um dia”, afirma Kuhn.

Paralelamente às instalações, é feito o fechamento dos painéis externos com placa OSB e argamassa sobre tela de aço de reforço, além do revestimento com não tecido. Finalmente, é feito o fechamento interno com drywall, execução da pintura e piso.

 

Resultados

Para Guilherme Kuhn, a grande vantagem da construção com light steel framing é a alta qualidade da obra, “supera em muito qualquer obra tradicional”, diz. “Todas as medidas são em milímetro, parametrizadas. Nada fica fora do esquadro”, argumenta o engenheiro.

Em relação a custos, o diretor sintetiza: “O custo da mão de obra na obra tradicional é 40% do preço do material. Com steel framing, esse custo é de 20% a 25% maior, mas, em vez de um ano e meio levamos oito meses para concluir uma obra. É metade do prazo, um tempo que ganhamos de mão de obra, de trabalho de escritório”. O custo por metro quadrado do empreendimento foi de R$ 1,4 mil, e o preço de venda ficou em R$ 3 mil.

A engenheira Luciana também lembra que o usuário deve receber um manual para se informar do que consiste o sistema, o que pode ser feito para manutenção, cargas máximas que podem ser utilizadas, onde estão as tubulações, entre outros.

 

 

Ficha técnica
construção e incorporação: Inversora Graficol; projeto de arquitetura e fachada: José Lyra; projeto de fundações e estrutura: Mauro Cápua; projeto de estrutura metálica (light steel framing): Helcio Hernandes; projeto de instalações elétricas, hidráulicas e de telefonia: José Cesar Sardinha Filho; projeto de esquadrias: MBP Consultoria de Esquadrias; sondagem: Helio Nogueira – Tengel; execução: Inversora Graficol; concreto: Top Mix; aço: Gerdau, Kofar, Unicsteel; blocos de concreto: Fortrel; cimento e argamassa: Votorantim; cerâmica: Porto Belo; cerâmica, porcelanato, azulejo: Eliane; painéis de fechamento: LP Brasil; drywall: Knauf; portas: Pormade; janelas de PVC: Adal; ferragens: Pado; tintas e vernizes: Suvinil; fios e cabos: Cordeiro; tubos e conexões: Tigre, Amanco; pré-moldados: Fortrel; estrutura metálica: Kofar; cobertura: Tegula, Tegovalle.

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