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Taludes atirantados

Paramento em concreto armado é uma das soluções para contenção de encostas e redução de riscos de deslizamentos. Conheça as principais aplicações, o custo-benefício e os cuidados para a contratação

Por Rodnei Corsini

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Cortinas atirantadas são estruturas feitas de concreto armado que recebem a tração de tirantes para contenção de terrenos. Nor­malmente, os tirantes são elementos de aço compostos por cabos ou por uma monobarra. “O tirante, basicamente, é um elemento metálico que é introduzido no solo para transferir carga de dentro de um maciço para uma parede ou outra estrutura de contenção”, descreve Carlos Peão, engenheiro civil e superintendente comercial da Geosonda, empresa de serviços de engenharia. A porção do tirante imersa no solo tem a sua extremidade ancorada, enquanto a extremidade externa transfere a carga do sistema para a estrutura de concreto armado.

A solução é muito usada em obras rodoviárias e ferroviárias, em estradas ou linhas de trem que atravessam serras ou relevos bastante acidentados. Para vencer a topografia, são feitos cortes nos terrenos, e os taludes resultantes desses cortes são contidos pelas cortinas atirantadas. Essa estrutura de contenção é bastante adotada, também, em áreas de deslizamentos em que há necessidade de conter taludes ou encostas. E, ainda, em casos de aproveitamento do topo de terrenos acidentados para construção de edificações. “É muito utilizada em áreas urbanas densas, onde há um talude com casas no topo por exemplo. Com a contenção, você protege as casas de cima e as de baixo, da encosta, também”, diz Rodolfo Moreda Mendes, engenheiro civil e pesquisador científico do Instituto Geológico, órgão de pesquisa vinculado à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

TIRANTE – ESQUEMA

Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas d

 

Componentes

Na contenção de taludes com cortinas atirantadas, a estrutura de concreto armado chamada de cortina cumpre a função de paramento. “Ela é chamada de ‘cortina’ porque, comparada às estruturas tradicionais de contenção – como muros de arrimo -, é mais esbelta, tem espessura menor”, diz Alexandre Rocha, engenheiro civil e diretor da Preserva Engenharia, empresa de serviços de geotecnia e recuperação de estruturas. A espessura de uma cortina é determinada em função do projeto – geralmente pode ter de 15 cm até 30 cm, variando conforme o dimensionamento da carga de contenção. “A estrutura de concreto armado é espécie de laje na vertical. Ela vai receber os tirantes e vai pressioná-los contra o talude”, diz Mendes.

O dimensionamento da cortina vai obedecer às necessidades levantadas no estudo do maciço a ser contido, determinando suas características geométricas, como altura e comprimento. “A cortina pode ser executada com concreto projetado ou lançado convencionalmente, com forma”, diz Peão.

Os tirantes, geralmente compostos por fios ou cordoalhas de aço ou por uma monobarra metálica, podem ser protendidos na sua execução. A protensão é um artifício para introduzir, em uma estrutura, um estado prévio de tensões. Quando os tirantes são protendidos, são chamados de tirantes ativos. Quando não são protendidos, são tirantes passivos. “Os tirantes ativos aplicam uma força na estrutura de contenção contra o maciço. Os passivos, não – eles ficam esperando para que ocorra a solicitação deles. Ou seja: havendo uma movimentação da estrutura, eles passam a atuar”, compara Rocha. O tirante passivo também é conhecido como chumbador ou grampo.

A determinação do tipo de solução – passiva ou ativa – também é determinada depois dos estudos geológicos, seguindo as necessidades de projeto. Da mesma forma, não há orientações pré-determinadas para a escolha dos materiais dos tirantes. Segundo o engenheiro Carlos Peão, é possível escolher entre vários tipos de barras de aço ou cordoalhas, de diferentes diâmetros, que podem ser compostos aos pares de modo a atender o dimensionamento. “O importante é que você tenha uma composição de elementos metálicos que possa atender à carga dimensionada”, diz.

 

Marcelo Scandaroli
Nas cortinas atirantadas, cabos de aço e monobarras (tirantes) são tracionados em estruturas de concreto armado

 

Estudo geotécnico

Antes da execução da cortina atirantada, propriamente, é feito o estudo geotécnico para verificar as condições e as propriedades do maciço. “Esse levantamento vai indicar a resistência do maciço, a altura da contenção, o cálculo de empuxo sobre a cortina, entre outros”, diz Mendes. Com base nesse estudo começam os cálculos para dimensionar a protensão, como diâmetro dos tirantes e de cada fio, trecho mínimo de ancoragem, trecho livre etc. “O atirantamento não necessariamente é requisitado em terrenos constituídos por solo. Pode ser em uma mistura de solo e rocha, ou somente rocha”, diz o pesquisador do Instituto Geológico.

Segundo Mendes, a inclinação dos taludes a serem contidos pode ter diferentes ângulos, mas é mais comum a execução em inclinações mais próximas a 90o. “Quando há um talude inclinado, fica um pouco mais difícil executar os tirantes. Porque os tirantes, geralmente, já vão inclinados dentro do maciço”, diz.

As propriedades do maciço levantadas no estudo geotécnico vão determinar como vai ser o projeto executivo, com características como inclinação de perfuração e execução dos tirantes, profundidade da perfuração – que pode variar geralmente entre 10 m e 15 m de profundidade -, comprimentos do trecho ancorado e trecho livre.

 

 

Execução

A execução de atirantamento em uma cortina para contenção de talude é feita seguindo algumas etapas: perfuração do maciço, montagem e instalação dos tirantes, injeção de calda de cimento na extremidade interna do tirante e protensão – no caso das soluções ativas. A perfuração do maciço é feita por máquinas chamadas de perfuratrizes, seguindo profundidade, ângulo e diâmetro determinados em projeto. Entre os fatores que determinam a profundidade da perfuração está a necessidade de se encontrar uma área resistente do maciço para a ancoragem do tirante. “Se a contenção for executada em solo de baixa resistência, é necessário aprofundar a perfuração até encontrar solos mais resistentes, para que o bulbo não fique solto”, diz Mendes. A soldagem do solo, feita previamente, indica o local adequado para o trecho de ancoragem.

Concluída a perfuração, é feita a limpeza do interior do furo para eliminação de todos os detritos. A quantidade de tirantes e o espaçamento entre eles vão depender das características do material que você vai conter, da espessura da cortina de contenção, entre outros fatores.

Os tirantes são montados conforme especificação do projeto e transportados para o local de instalação. Sua introdução no furo é lenta, evitando atrito excessivo. É necessário um tratamento anticorrosivo no material, e sua vida útil vai depender principalmente do tipo de aço adotado e desse tratamento prévio.

Após sua introdução, é feita a injeção de calda de cimento. “A calda é feita com cimento Portland comum, normalmente em uma proporção de metade água e metade cimento”, diz Peão. A injeção é feita por ação da gravidade, por meio de um tubo de PVC. Os volumes de calda e pressão da injeção devem garantir a perfeita ancoragem do tirante ao maciço.

Assim que os tirantes estão devidamente ancorados, após a cura total da calda de cimento, pode ser feita a protensão. O procedimento utiliza macacos hidráulicos e, nessa etapa, são colocadas as peças que compõem a “cabeça” do tirante – a cunha de grau, a placa de apoio e as porcas ou clavetes para fixação.

Depois do atirantamento do maciço, é executada a cortina de concreto armado, que fará de fato a contenção do talude. O concreto deve ter uma resistência mínima de 22 MPa. Cada camada de concreto lançada deve ser vibrada mecanicamente por meio de vibradores de imersão ou de parede, evitando-se a vibração da armadura para que não se formem vazios ao seu redor, prejudicando a aderência. As formas das cortinas podem ser compostas de estruturas metálicas ou de madeira, e são dimensionadas de maneira que não sofram deformações prejudiciais.

Por fim, é preciso proteger a cabeça dos tirantes. “O que se costuma fazer é concretar a cabeça do tirante depois que se faz a protensão, de uma maneira que o ar não entre, principalmente para evitar corrosão”, alerta Mendes.

Preserva Engenharia
Cortina atirantada pode ser executada em maciços de diversas composições geológicas, geralmente em taludes com pouca inclinação

 

Viabilidade e fiscalização

Segundo o engenheiro Carlos Peão, em taludes de até 4 m geralmente não se executa uma cortina atirantada para contenção em casos típicos. Normalmente, a solução é feita em taludes acima disso, não se ultrapassando, geralmente, mais de ­­­20 m­­­­ de altura. “Para obras em estradas, por exemplo, pode ser preferível vencer o maciço por meio de um túnel”, diz.

Considerada uma solução bastante cara, é preciso verificar a viabilidade econômica da contenção de taludes com cortinas atirantadas. Na aplicação desse tipo de obra para obtenção de áreas planas para construção, em regiões de topografia acidentada, Mendes diz que em áreas de casas com valor agregado baixo a solução pode ser inviável economicamente. “Seria mais fácil, em uma área de risco em que há casas baseadas em R$ 30 mil ou R$ 40 mil, no máximo – e uma obra dessas supera em muito esse valor -, eliminar o risco removendo os moradores dessa área e realocando em áreas seguras”, analisa.

Depois que a solução é concluída, é necessário um acompanhamento de praxe do seu desempenho. São feitas inspeções para verificar a condição dos tirantes, da cortina e do talude contido. “Normalmente, uma obra de contenção é acompanhada também de uma obra de drenagem. Não se pode fazer uma obra dessas sem lembrar de canaletas e outros elementos de drenagem”, diz Peão. Nas inspeções, é verificado se as canaletas não têm trincas, se não há infiltração de água, se a superfície do concreto está resistindo bem. “Caso haja alguma patologia, você pode reparar. Se os drenos entopem e a cortina foi concebida para atuar sem certa quantidade de água, pode haver um colapso da estrutura caso os drenos não sejam limpos”, completa.

Uma das grandes preocupações em relação à vida útil e desempenho da obra é o risco à corrosão das cabeças dos tirantes, principalmente em regiões litorâneas por conta da maresia. A inspeção deve verificar especialmente se os tirantes não estão perdendo as protensões. Quanto aos materiais usados para a execução da solução, deve-se certificar que os materiais tenham a qualidade e as propriedades determinadas pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) – como o aço de protensão, o aço estrutural para o concreto armado e o cimento Portland para ancoragem.

Alexandre Rocha, da Preserva Engenharia, explica que normalmente em obras públicas o serviço é pago por preço unitário. Perfuração, injeção, execução da cortina, entre outros serviços são mensurados e cotados individualmente. A modalidade de contratação por preço global, em que há um preço único para todo o projeto, é mais comum nas obras privadas.

 

Passo-a-passo

fotos: Geosonda

 

Caderno de encargos

A secretaria de serviços públicos da Prefeitura do Recife padronizou procedimentos executivos para contratação de contenção de taludes com cortina atirantada, conforme se vê nos desenhos à parte. Em editais, a prefeitura estabelece as seguintes recomendações:

 

n A perfuração dos tirantes deve ser feita com a inclinação, diâmetro e comprimento indicados em projeto.

nRecomenda-se que a injeção seja feita logo após o término da perfuração e instalação do tirante, para se evitar possíveis problemas de amolecimento do maciço e consequente estrangulamento do furo.

nAs fases de injeção, pressão de injeção, comprimento do trecho ancorado e quantidade de calda a ser injetada dependem das características do solo ou rocha e carga a ser aplicada no tirante.

nApós a execução das fases de injeção, parcial ou total, iniciam-se os trabalhos de escavação do terreno para a execução dos painéis de concreto.

nExecutada a escavação, colocam-se a armadura e a fôrma de fechamento e executa-se a concretagem diretamente contra o terreno natural. Pode-se optar, também, pela utilização de painéis pré-moldados. Neste caso, normalmente estes painéis são solidarizados a perfis metálicos ou estacas injetadas, em uma estrutura tipo pranchada.

nUma vez atingida a resistência do concreto do painel e as fases de injeção do tirante já concluídas, protende-se parcialmente os tirantes e iniciam-se os serviços de escavação dos demais painéis seguindo a ordem estabelecida e os serviços já descritos.

n Finalmente, concluída a cortina, executam-se as protensões dos tirantes dos vários níveis onde deverão ser feitos os seus ensaios de qualificação e recebimento.

NOTAS
1 –
O tipo e características dos tirantes (comprimentos, fios ou amarras etc.) deverão ser definidos pelo projeto. Caso necessário à execução dos tirantes deverão ser montados andaimes.
2 –
Em função das características da estrutura poderá ser necessária a protensão parcial dos tirantes antes da execução do painel seguinte.
3 –
O reaterro compactado deverá ser executado parcialmente, de forma a garantir o confinamento para as protensões.
4 –
Em função das características do terreno, os trabalhos de escavação, execução dos tirantes e painéis deverão ser feitos por nichos alternados.
5 – A representação da sequência construtiva deverá ser repetida caso a estrutura apresentar mais níveis de tirantes.

 

Normas ABNT para cortinas atirantadas

n NBR 5629 – Execução de Tirantes Ancorados no Terreno
nNBR 6502 – Rochas e Solos – Terminologia
nNBR 7480 – Barras e Fios de Aço Destinados a Armaduras para Concreto Armado – Especificação
nNBR 7482 – Fios de A
ço para Concreto Protendido – Especificação
nNBR 7483 – Cordoalhas de A
ço para Concreto Protendido – Especificação
nNBR 7681 – Calda de Cimento para Injeção – Especificação

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