Galeria de água pluvial

Infraestrutura Urbana.

Os detalhes técnicos do projeto de drenagem superficial da Prefeitura de São Paulo com composições de custo referenciais para cinco capitais

 

Por Marina Pita

 

A impermeabilização dos solos em áreas urbanas deve andar junto de projetos de galerias de águas pluviais. Isso porque o asfalto é rapidamente deteriorado quando as águas das chuvas correm por sobre ele cotidianamente. As galerias também evitam enchentes em áreas de acúmulo de água nas vias e organizam a vazão até o corpo receptor (córregos, rios e mares).

Estes são os problemas enfrentados pelo Núcleo Habitacional do Jardim Clímax, localizado no município de São Paulo, uma área de 4.287,13 m² composta por 102 moradias e uma população de cerca de 510 habitantes. A região foi ocupada por população de baixa renda de forma desordenada sem que as vias tivessem infraestrutura de drenagem da água superficial adequada.

Algumas vias sequer detêm dispositivos de captação de águas superficiais – como sarjetas, sarjetões ou bocas de lobo – e, em outras, os acessos às captações foram barrados por construções irregulares.

A situação é agravada pela região ser um fundo de vale, para onde escoam as águas de chuva do entorno e porque, em seu ponto mais baixo,

há um córrego canalizado, que aumenta a probabilidade de enchente.

A Prefeitura de São Paulo iniciou então um processo para construir e reformar o sistema de galerias de águas pluviais nesta região. Executado pela Superintendência de Habitação Popular da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo, sob a supervisão do engenheiro Jarbas Prado de Francischi Junior, o projeto executivo, em fase final de elaboração, prevê a construção de nova rede de drenagem.

No projeto, foi definido um desvio das águas que naturalmente correriam para o fundo do vale para, assim, minimizar as vazões neste ponto. Como se vê no projeto ao lado, foram previstos dispositivos de captação da

água pluvial para redução do volume que aflui superficialmente.

A seguir, os detalhes técnicos do projeto – que remontam às premissas básicas da elaboração de projetos de drenagem -, e os custos para construção de galeria de água pluvial.

 

Levantamento de dados

A primeira fase para qualquer projeto de galeria de água pluvial é o levantamento de dados sobre as condições do local onde o sistema será implantado. Obter a planta de situação e localização da região dentro do município, além de plantas do levantamento aerofotogramétrico são pontos de partida. Depois, conhecer a intensidade da chuva, a capacidade de absorção da água, o escoamento do excedente e as condições estruturais do local

é essencial para o início do desenho da melhor solução.

No caso do projeto no Jardim Clímax foi feito levantamento topográfico da área com localização e cadastramento das galerias de águas pluviais e dos dispositivos de drenagem existentes. Também foi realizado levantamento de campo para destacar os pontos altos e baixos da região e delimitar a bacia de contribuição que atinge a seção em estudo.

Para a determinação do pico de vazão foram usados períodos de retorno – tempo médio decorrido para que um evento seja igualado ou superado em magnitude – de 25 e 50 anos, por se tratar de uma área de fundo de vale, mais propensa a cheias e enchentes. A intensidade da precipitação foi obtida por equação elaborada para a cidade de São Paulo pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE).

O tempo de concentração da área de contribuição (duração a trajetória da água até atingir a seção) foi obtido pela expressão de George Ribeiro:

 

t1= 16 L1 / ( 1,05 – 0,2 p ) ( 100 S1 ) 0,04

sendo:

t1 = Tempode escoamento superficial em minutos
L
1 = Comprimento do talvegue principal, em quilômetros
p = Porcentagem, em decimal, da área da bacia coberta de vegetação
S1 = Declividade média do talvegue principal

 

Já o coeficiente de escoamento superficial adotado foi de 0,7, uma vez que a área é de ocupação irregular, densamente construída, com ruas e calçadas pavimentadas.

Com estes dados é possível determinar a necessária vazão do sistema de galerias com base nas vazões de pico. O método para estimativa das vazões de pico usado para o projeto do Jardim Clímax foi o Racional, já que a área de drenagem é inferior a 1 km².


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Infraestrutura existente

A definição do traçado de um projeto de galeria pluvial exige grandes esforços de levantamento da infraestrutura existente e mais ainda de contato com demais órgãos públicos e empresas concessionárias para identificação de possíveis interferências subterrâneas. Isso porque para elaborar um projeto de galerias pluviais e evitar interferências no traçado

é preciso identificar qual a estrutura instalada no subsolo e quais os planos futuros para o local.

No caso do Jardim Clímax, a Prefeitura de São Paulo, ao pesquisar o sistema existente, identificou que por sobre a área onde se localiza uma antiga galeria subterrânea, haviam sido construídos, de forma irregular, uma creche, uma quadra esportiva e um campo de futebol. Para evitar desgastes com a população do entorno, além de gastos com desapropriação, a prefeitura mudou o traçado preliminar do sistema e optou por ampliar a tubulação paralela à via, unindo as tubulações só depois de superada a barreira da creche e das instalações esportivas.

Outra descoberta do órgão durante o levantamento de informações sobre o local foram os planos da Sabesp de construir um sistema para destinação dos efluentes de esgoto.

Estabelecer uma linha de diálogo e acordar projetos fez-se, então, necessário para evitar sobreposição de projetos em um mesmo local. “Este é apenas um caso. Da mesma forma que tivemos de mandar um ofício à Sabesp para obtermos informações sobre o sistema de esgoto em implantação, poderia ocorrer com uma concessionária de energia elétrica, gás e etc.”, diz Jarbas Junior.

De qualquer forma, os danos causados a instalações subterrâneas serão de inteira responsabilidade da executora das obras, independentemente da interferência constar ou não conforme alerta nos desenhos dos projetos.

 

Solo

O conhecimento do tipo de solo da região onde serão construídas as galerias pluviais é fundamental para o sucesso do projeto. O tipo de solo definirá, por exemplo, como se dará a escavação para instalação das tubulações e se será necessário o uso de escoramento. De acordo com Manoel Botelho, engenheiro especialista em planejamento urbano e drenagem, solos argilosos – como o encontrado no Jardim Clímax – são mais estáveis e, em geral, não requerem recursos adicionais para manutenção das valas e instalação de tubulação. Solos arenosos, no entanto, são instáveis e podem requerer escoramento.

Também se faz necessário o estudo de lençol freático porque em determinados locais a escavação pode resultar no brotamento de água.

Os métodos de escavação são definidos pela contratada. Cabe à contratante apenas decidir, por exemplo, se será usado um método não destrutivo, no caso da impossibilidade de interferência na superfície.

 

Corpo receptor

Para o despejo da galeria projetada deve ser escolhida uma galeria a jusante de dimensões iguais ou maiores ao canal ou curso d’água natural. Caso o ponto considerado adequado para despejo não se encontre na via em estudo, a galeria deve ser estendida a jusante da mesma até esse ponto.

Para evitar que o desemboque das águas pluviais provoque erosão no corpo receptor, é preciso construir estrutura adequada. Em Jardim Clímax está projetada a construção de um muro de ala, com dimensões conforme mostrado na figura em destaque.

 

 

Galeria circular

O diâmetro mínimo das galerias de seção circular, indicado pela prefeitura de S

ão Paulo, deve ser de 0,6 m. Elas devem ser projetadas para funcionar a seção plena com a vazão de projeto. A velocidade máxima admissível determina-se em função do material a ser empregado na rede. Para tubo de concreto, a velocidade máxima admissível é de 5,0 m/s e a velocidade mínima 0,60 m/s.

Nas mudanças de diâmetro, os tubos devem ser alinhados pela geratriz superior. O desnível entre a geratriz inferior dos tubos de entrada e de saída em um poço de visita não deve ser superior a 1,5 m. No caso de ser necessário degrau com altura superior à indicada, deve ser projetado um poço de visitas em concreto armado com proteção contra a erosão do fundo da caixa.

Jarbas Francischi Junior indica que mudanças de direção muito acentuadas entre as tubulações de entrada e de saída em um poço de visita sejam evitadas, especialmente se não houver desnível entre a geratriz superior dos mesmos. Recomenda-se calcular a perda de carga no poço de visita quando o ângulo de deflexão entre a direção estabelecida pela tubulação de montante e a de jusante exceder 45o.

 

Inspeção e registro da situação dos imóveis

Obras para instalação do sistema de drenagem podem resultar em alterações nas edificações do entorno. Por este motivo é importante que seja feita a vistoria dos imóveis nas faixas próximas às obras, registrando a atual situação por fotografias e laudos técnicos. “Especial atenção deve ser dada

a imóveis de interesse histórico”, lembra o engenheiro Manoel Botelho. Em alguns casos será necessário alterar o método de execução para evitar o comprometimento das estruturas de edificações do entorno ou tombadas pelo patrimônio histórico.

 

 

 

Captações

No projeto do Jardim Clímax foram usadas bocas de lobo triplas no ponto baixo do vale com diâmetro de saída de 500 mm. Nos demais pontos foi feito o uso de bocas de lobo duplas, também com diâmetro de saída de 500 mm. O projeto prevê instalação de nove caixas de drenagem simples conectadas à rede de drenagem de 600 mm. Elas possuem grelhas de concreto (as de ferro são furtadas com frequ

ência) e têm capacidade de engolimento de 60 l/s cada, de forma a suportar uma vazão total de 500 l/s na área.

No início da viela Jaú foi projetada uma caixa de drenagem especial, com profundidade de 1,445 m. Ela foi projetada com dimensão maior porque está baixa em relação à rua Buturana e recebe vazão e velocidade maiores, sendo necessária maior capacidade de drenagem superficial.

Poços de visita serão utilizados nos pontos de mudança de diâmetro, direção, declividade, inspeção, limpeza e interligação com galerias e redes de chegada de bocas de lobo. O espaçamento mínimo entre os dispositivos que fazem as interligações de galerias será da ordem de 80 m.

 

Orçamento

Com base no projeto do Jardim Clímax da Prefeitura de São Paulo, o departamento de engenharia da PINI realizou uma estimativa orçamentária da obra em cinco regiões brasileiras, representadas pelos Estados de São Paulo, Paraná, Pará, Pernambuco e Distrito Federal. Para o cálculo, foram considerados os coeficientes da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras da Prefeitura de São Paulo e as composições de custo do Índice Sinapi da Caixa Econômica Federal.

Sidnei Falopa Obs.: Para composição de custos do orçamento foram associadas composições da própria Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras de Prefeitura de Sáo Paulo (Siurb) com preços Sinapi. Referências de preços com Leis Sociais data-base outubro/2011: SP = 124,86%; PR = 155,71 %; DF = 124,33 %; PE = 126,28 %; PA = 124,71 % (valores obtidos nos relatórios sintéticos disponibilizados tod
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