Bicicletário modal

18/01/2013 | Notícia | Revista Infraestrutura Urbana – Janeiro 2013

 

Abrigo de bicicletas associado à ciclovia integra conjunto habitacional à estação ferroviária. Veja o projeto e os custos detalhados da construção em cinco regiões

A Companhia de Habitação (Cohab) de São Paulo decidiu, em 2010, implantar um bicicletário na estação ferroviária Jose Bonifácio, a aproximadamente 2 km do Projeto Habitacional Caraguatatuba, que integra o Conjunto Habitacional Jose Bonifácio, na zona Leste da capital. O escritório TC Urbes foi o escolhido para elaborar o projeto, e também uma ciclovia que liga o conjunto residencial à estação ferroviária, para facilitar o acesso dos ciclocondutores.

O terreno de 700 m² onde será construído o bicicletário pertence à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que ficara responsável pela execução da obra, cujo espaço deve abrigar aproximadamente mil bicicletas em 900 m² de área construída. A gestão do bicicletário ficara sob responsabilidade da Associação dos Condutores de Bicicletas de Mauá (Ascobike), que já gerencia um bicicletário semelhante na Estação Mauá de trens metropolitanos, na Grande São Paulo.

Segundo o arquiteto e responsável pelo projeto Ricardo Corrêa, da TC Urbes, “a partir do momento em que esse projeto de bicicletário integrado à ciclovia se torna um piloto para outros projetos de habitação popular, pode proliferar uma infraestrutura cicloviária e pode ser trabalhada a intermodalidade, com transporte coletivo e, futuramente, a transformação em uma grande rede cicloviária”, diz.

A ciclovia que liga a Cohab Jose Bonifácio à estação da CPTM terá uma extensão de aproximadamente 4,5 km, pois fará ligações com a Avenida Jacu – Pêssego e a Radial Leste. O bicicletário da estação terá acesso controlado a associados — por meio de uma mensalidade de R$ 10 — ou a usuários avulsos — que pagam uma diária de R$ 1. Os ciclistas poderão estacionar suas bicicletas 24 horas por dia, além de usufruírem do espaço, que terá banheiros, oficina mecânica, copa onde será servido café da manha e profissionais de assistência social.

Corrêa diz que o projeto arquitetônico do bicicletário é uma evolução do modelo adotado na Estação Mauá. “Todo o desenho do bicicletário foi pensado para um melhor funcionamento e segurança ao usuário. Todas as áreas internas são visíveis, não há pontos cegos”, diz o arquiteto Essa evolução diz respeito também ao modelo de paraciclo utilizado, que em Mauá é composto por ganchos onde a roda dianteira das bicicletas é presa.

“Esse modelo com os ganchos, embora seja muito utilizado na maior parte das estações da CPTM, pode ser um tanto incômodo para o usuário e ruim para a bicicleta. Para o bicicletário da Jose Bonifácio, utilizamos um sistema de canaleta-guia, na qual a roda da frente é colocada nessa canaleta e a bicicleta é empurrada em cima dela. É um modelo mais simples que o de Mauá”, completa.

Além disso, 50% das vagas ficam no nível do chão, sem precisar que o usuário levante a bicicleta para prende-la, o que, segundo Corrêa, é o modelo mais recomendado para crianças, mulheres, idosos e portadores de alguma dificuldade motora. Segundo o arquiteto, esse paraciclo permite, proporcionalmente, um aumento de 25% no número de vagas em relação ao modelo aplicado em Mauá.

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), para a viabilização do projeto, a Cohab realizou estudos de topografia e mobilidade, e obteve parecer favorável da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET), da Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA), e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O projeto, agora, esta em fase de revisões finais para ser repassado à CPTM.

Arquitetura

O modelo arquitetônico do bicicletário consiste em um prédio de dois pavimentos. O térreo comporta o estacionamento de mais de 630 bicicletas e esta instalado próximo à saída da estação José Bonifácio. Ao longo de sua extensão, ele se estrutura em desenho ovalado, que possui uma rampa de acesso até o pavimento superior, com aproximadamente 300 vagas. O piso superior da edificação conta ainda com uma área externa, descoberta, com uma pequena praça, bancos e paraciclos onde os usuários também podem deixar suas bicicletas.

Na área interna do prédio, haverá um jardim que, segundo o arquiteto, deixa o ambiente mais agradável e convidativo para as pessoas que quiserem estacionar suas bicicletas. “É importante que o ciclista seja recebido em um ambiente agradável, bonito e que inspire segurança”, diz Corrêa.

O prédio terá cobertura metálica, mas parte dela aberta e permite a entrada de luz solar. “A ideia que o bicicletário de a impressão de um casco que proteja as bicicletas, mas com áreas abertas, que deem a sensação de que o veículo esta protegido, mas sem estar enclausurado”, diz o projetista.

A vedação lateral da edificação é feita em caixilhos de vidro, que devem ser instalados fixos e inclinados, de modo a facilitar a ventilação no local. A parte externa superior será circundada por um guarda-corpo metálico e terá oito claraboias responsáveis por permitir a entrada de luz natural no pavimento inferior.

Interesse público

Os modelos de bicicletários instalados nas estações da CPTM, segundo o engenheiro Reginaldo Paiva, mostram que existe uma grande procura por vagas para ciclocondutores em áreas do entorno de estações de transporte. “Existe um problema complicado que é o da demanda reprimida. Para citar um exemplo, os bicicletários instalados nas estações Jardim Helena e Itaim Paulista, ambas em São Paulo, possuem 256 vagas e estão lotados. Não conseguimos nem mensurar essa demanda reprimida, exatamente porque muita gente acaba deixando de ir de bicicleta porque sabe que os bicicletários já estão cheios”, explica Paiva.

“É importante pensar na conexão entre um bicicletário, uma ciclovia e um terminal de ônibus. Um bom exemplo seria instalar bicicletários em prédios públicos, vinculados ao transporte público. Não adianta colocar apenas uma ciclovia ou apenas um bicicletário, é importante que as duas coisas estejam ligadas para que o ciclista saiba que ele vai fazer seu trajeto e terá um local onde poderá estacionar sua bicicleta”, diz Ricardo Corrêa.

Segundo o arquiteto, é possível incentivar o uso da bicicleta com a instalação de pequenos bicicletários ou paraciclos, com um número de vagas entre 25 e 50. “E preciso que se deem condições mínimas de segurança para que o ciclista não tenha medo de ter sua bicicleta roubada, além de facilitar seu acesso, com vagas próximas das entradas”, completa.

De acordo com a Lei no 12.587, de 3 de janeiro de 2012, “em municípios acima de 20 mil habitantes e em todos os demais obrigados, na forma da lei, à elaboração do plano diretor devera ser elaborado o Plano de Mobilidade Urbana, integrado e compatível com os respectivos planos diretores ou neles inserido. Nos municípios sem sistema de transporte público coletivo ou individual, o Plano de Mobilidade Urbana deve ter o foco no transporte não motorizado e no planejamento da infraestrutura urbana destinada aos deslocamentos a pa e por bicicleta, de acordo com a legislação vigente”.

Corrêa afirma que as condições para os ciclistas estão evoluindo, mas ainda estão longe do ideal. Segundo o arquiteto, as prefeituras deveriam aproveitar a politica de mobilidade urbana e criar secretarias que fossem responsáveis por cuidar dos transportes não motorizados.

“É importante que as prefeituras estabeleçam responsáveis por esse tipo de planejamento urbano. Não adianta colocar uma infraestrutura para bicicletas e o responsável ser o mesmo que cuida dos interesses dos veículos motorizados, porque estes, quase sempre, têm prioridade”, diz o arquiteto.

Reportagem: Carlos Carvalho
Fotos: Divilgação URBES

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